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60 segundos com Francisco Bento dos Santos

Como nasceu e o que caracteriza os vinhos da Quinta do Monte d’Oiro?

A Quinta do Monte d’Oiro é conhecida desde o séc. XVII como um terroir privilegiado e foi, no final do séc. XIV, propriedade do Visconde de Chanceleiros (Ministro do Reino à época e um viticultor de renome), que desempenhou um papel importante na luta contra a filoxera. 

Há mais de 30 anos, foi adquirida pelo meu pai, José Bento dos Santos, tendo-se iniciado nessa altura o atual projeto vitivinícola. Os estudos de solo e clima realizados mostraram semelhanças com o vale do Ródano –  por coincidência a região preferida dele -, o que norteou a decisão de se prioritizar a plantação maioritária das castas Syrah e Viognier, embora a vinha da Quinta do Monte d’Oiro inclua também Touriga Nacional, Tinta Roriz, Petit Verdot, Arinto e Marsanne. 

A Quinta do Monte d’Oiro opera, desde 2006 em modo biológico. Os seus vinhos expressam as características e mensagens do terroir de origem, revelando a frescura trazida pela proximidade atlântica (a Quinta fica no Concelho de Alenquer, a apenas 20 km do mar) e um grande sentido gastronómico, à imagem do seu criador.

O que torna a região e a Quinta de onde são originários especiais?

A Quinta do Monte d’Oiro localiza-se no Alto Concelho de Alenquer, na freguesia da Ventosa, a apenas 20 km do oceano. Pertence à região vitivinícola de Lisboa e fica a apenas 5 km do sopé da serra de Montejunto, que muito influencia o clima da região. As noites são frias e, durante o dia, as temperaturas são amenas (no verão, não excedem os 31ºC) e o vento sopra em permanência. 

Estas características permitem maturações muito lentas e completas das castas plantadas na Quinta, a potenciar a preservação dos aromas das castas, conservação da acidez, graus alcoólicos moderados, uvas sãs e equilibradas, produzindo vinhos com bom potencial de guarda.

Quais as castas utilizadas / predominantes e que características conferem aos vinhos?

A Syrah e o Viognier são predominantes na vinha do Monte d’Oiro, com várias parcelas de cada casta que permitem jogar com as características do terreno e elaborar os lotes que melhor exprimem as castas, a identidade do terroir e a filosofia do produtor. Mas a Quinta produz também belíssimos tintos extremes de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Petit Verdot e ainda um branco, onde o Viognier é complementado com Arinto e Marsanne.

O que distingue os vinhos Quinta do Monte d’Oiro de outros da mesma região?

As condições da Quinta do Monte d’Oiro são únicas e a identidade do terroir está muito presente nos vinhos. Mas há outros aspetos diferenciadores a ditar o seu perfil: a viticultura 100% biológica (MPB certificado) que é praticada, a gestão parcelar de todo o processo (viticultura, vindima, vinificação e estágio), a utilização de modos suaves na adega, os rigorosos protocolos de vinificação, a escolha criteriosa de barricas para o estágio em madeira ou a metodologia de loteamento. O corolário será certamente a filosofia que serviu de base à sua criação e que sustenta o seu crescimento.

Que vinhos se destacam da gama e porquê?

O Quinta do Monte d’Oiro Reserva Branco, Quinta do Monte d’Oiro Reserva Tinto e Quinta do Monte d’Oiro Reserva Rosé, por serem elaborados exclusivamente com as castas mais emblemáticas da Quinta (Syrah e Viognier) e serem verdadeiros vinhos de terroir, que exprimem fielmente as caraterísticas do Monte d’Oiro e de cada ano de colheita.

A que tipo de consumidor se destinam? 

A consumidores exigentes mas não necessariamente conhecedores ou experts. Os vinhos Quinta do Monte d’Oiro são eminentemente gastronómicos e valorizam qualquer refeição, pelo que quem aprecia o prazer da mesa não dispensará certamente uma vinhaça d’Oiro!

Se tivesse de descrever os vinhos em três palavras, quais seriam? 

Identidade, caráter, coerência.

Vão existir outras referências no futuro?

O nosso objetivo principal é conhecer cada vez melhor as nossas vinhas, parcela a parcela, e saber interpretar as mensagens do terroir. Produzir vinhos cada vez mais coerentes e fiéis ao local onde nascem, assim como ao ano de colheita. Fazer dos vinhos já existentes cada vez mais especiais. As novidades e experiências surgirão naturalmente, mas não são o fio condutor.


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