60 segundos com Rui Roboredo Madeira

Como nasceu e o que caracteriza os vinhos Rui Roboredo Madeira?

O projeto surge em 1999 quando, depois de ter contactar com muitas culturas, formas de viver e fazer vinho, em vários pontos do globo, regresso ao Douro, convicto do potencial que reunimos para fazer dos melhores vinhos do mundo.

Quinta da Pedra Escrita

O que torna a região e as quintas de onde são originários especiais?

Os vinhos Rui Roboredo Madeira são produzidos no Douro Superior e na Beira Interior, ambos na bacia hidrográfica do Douro, mas com características muito próprias.

Destacam-se, desde logo, pelos solos: enquanto o Douro é dominado pelo xisto, na Beira temos a transição para o granito da montanha. É nesta zona de transição que encontramos muitos filões de quartzo.

Depois, pela orografia, com a viticultura no Douro a fazer-se nas encostas, enquanto na Beira é de planalto. Apesar do carácter intrínseco de cada região, na Quinta da Pedra Escrita inovámos e apostámos na busca da frescura, mineralidade e pureza aromática das zonas altas do Douro.

Quais as castas utilizadas / predominantes e que características conferem aos vinhos?

Em qualquer das regiões, procuro sempre imprimir o meu próprio estilo que passa precisamente por vincar as características das suas castas clássicas.

O que mais destaco são as vinhas velhas em ‘field blend’, um dos principais elementos distintivos do Douro pela complexidade única e irrepetível.

Nas uvas tintas do Douro Superior temos os aromas de frutos do bosque e esteva da Touriga Franca, especiarias e frutos vermelhos da Tinta Roriz e notas florais de violeta muito frescas e elegantes da Touriga Nacional.

Nas uvas brancas, a Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho, que no seu conjunto conferem um bom equilíbrio de frescura, fruta e mineralidade.

Já na Beira Interior não se encontra a mesma diversidade do Douro, mas há castas que ao longo dos séculos se foram adaptando perfeitamente aos rigores impostos pela altitude.

Nas castas tintas conseguimos combinar frescura e acidez com grande concentração, destacando-se a Tinta Roriz (de maturação mais precoce), mas também a Jaen e a Touriga Nacional.

As castas brancas da Beira são dominadas pela Síria e Fonte Cal, que neste “terroir” de altitude se destacam pela mineralidade, acidez vibrante e elegância.

O que distingue os vinhos Rui Roboredo Madeira de outros da mesma região?

Os vinhos refletem as minhas vivências. No respeito pela natureza, pela forma como se cultivam as nossas vinhas, criando vinhos que cheiram e sabem à minha terra, ao xisto, ao granito molhado, à esteva, às flores e a frutos do campo.

Esta é a minha paixão: os vinhos do grande vale do Douro – do Douro Superior à Beira Interior -, com o carácter do nosso ‘terroir’, expresso pelas castas autóctones, com autenticidade e simultaneamente um perfil internacional.

Acredito que as novas gerações devem respeitar a tradição mas também deixar a sua marca para o futuro. Por isso, procurámos introduzir conceitos inovadores, como os DOC Douro, apostando exclusivamente na sub-região do Douro Superior, e explorando novos caminhos, como a produção a partir de uvas das zonas altas, que antes eram pouco valorizadas, mas nas quais descobrimos um imenso potencial por explorar.

Foi também o que aconteceu com o projecto BEYRA, numa região contígua ao Douro Superior, mas quase esquecida: a nossa motivação foi reinventar o que se fazia na Beira Interior para valorizar a zona, criando o conceito dos Vinhos de Altitude.

Para tal, usamos técnicas de vinificação com interferência mínima nas características naturais das uvas que dão origem aos nossos vinhos, recorrendo, por exemplo, a utilização de leveduras indígenas e fermentação em cubas de cimento.

Hoje temos uma preocupação crescente com uma viticultura mais sustentável, por isso os nossos vinhos têm origem em vinhas não irrigadas (viticultura de sequeiro), e disponibilizamosuma oferta de vinhos biológicos cada vez mais alargada.

Que vinhos se destacam da gama e porquê?

O Quinta da Pedra Escrita Branco, por ser um branco de altitude no Douro Superior, mas em solos graníticos, o que lhe confere um perfil totalmente diferenciado. Ainda, o Beyra Reserva Quartz Branco, um expoente de mineralidade, ex-libris dos vinhos de altitude.

Nos tintos, o Castello D’Alba Vinhas Velhas Tinto, por ser um vinho com um perfil clássico do Douro de grande elegância, e o Beyra Grande Reserva Tinto por expressar bem as características diferenciadoras da Tinta Roriz nesta região.

A que tipo de consumidor se destinam? 

A quem procura vinhos desafiantes. A busca por novas fronteiras para os vinhos portugueses, que tem ditado o nosso crescimento, é compreendida por novos consumidores, mas também pelos que seguem o nosso trabalho e consistência ao longo destes últimos 20 anos, confiam nos nossos vinhos e aceitam os desafios que lhes vamos lançando.

Se tivesse de descrever os vinhos em três palavras, quais seriam? 

Identidade (‘sense of place’), consistência e elegância.

Vão existir outras referências no futuro?

De entre as novidades que acabámos de lançar, e que incluem vinhos com um posicionamento de topo, destaco o Rui Roboredo Madeira Natural Bio 2019, um vinho que reflete a nossa ambição de criar vinhos únicos, e que constitui a expressão máxima do verdadeiro ‘sentido de lugar’.


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