60 segundos com João Portugal Ramos e os vinhos Foz de Arouce

Como nasceu e o que caracteriza os vinhos da Quinta de Foz de Arouce?

A produção vitivinícola na quinta mistura-se com a própria história e demarcação da propriedade, sendo hoje, tal como a adega, a única que se conhece na região.

Os antigos documentos existentes na casa referem as propriedades como pertença da família do Conde de Foz de Arouce desde o Sec. XVIII, sendo que na Quinta de Foz de Arouce, à semelhança de outras Casas da Beira, a vinha e o vinho então produzido, adquiriam um papel complementar, conjuntamente com outras culturas como a produção frutícola ou animal, apenas para consumo na casa.

A história mais recente remonta aos anos 70, altura em que João Filipe Osório de Meneses Pitta, IV Conde de Foz de Arouce, herda esta propriedade, e descobre o potencial das vinhas, com mais de 40 anos, na produção de vinhos de indiscutível qualidade.

Já a minha relação com a Quinta de Foz de Arouce tem início na década de 80, altura em que integro a família e assumo funções de consultor e enólogo da casa, introduzindo maior rigor na condução e tratamento vitícola e maior controlo na vinificação.

A fermentação de brancos passa também a ser feira em barricas, assim como, à semelhança dos tintos, o estágio. Os resultados não se fizeram esperar e em 1987 são engarrafados e comercializados os primeiros vinhos Quinta de Foz de Arouce.

Quinta de Foz de Arouce

O que torna a região e a quinta de onde são originários especiais?

A Quinta de Foz de Arouce situa-se no Concelho da Lousã, na Região das Beiras. Está rodeada pelos contrafortes das Serras da Lousã e Penela e é banhada pelos rios Arouce e o Ceira.

Apesar de estarmos numa IGP, a proteção natural das serras envolventes e dos rios cria em Foz de Arouce um microclima especial, que permite uma ótima maturação das uvas e um equilíbrio, fruto da acidez natural que encontramos quer nos brancos quer nos tintos.

Quais as castas utilizadas / predominantes e que características conferem aos vinhos?

Em Foz de Arouce são utilizadas a Baga como casta predominante dos vinhos tintos e o Cercial nos brancos.

O Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria é fruto de uma vinha com cerca de 80 anos, unicamente de casta baga. A produção desta vinha de 2.5ha é muito diminuta, cerca de 2000Kg/ha e, por isso, com grande concentração e complexidade própria das vinhas velhas. A baga amadurece normalmente bem, especialmente no que toca aos seus taninos, normalmente rudes e difíceis, sendo aqui cheios e carnudos e bem envolvidos pelo corpo.

No vinho Quinta de Foz de Arouce Tinto, a baga é lotada com Touriga Nacional em proporção de 2/3 e 1/3, respetivamente. Aqui a Touriga Nacional pretende conferir complexidade e alguma modernidade ao estilo sóbrio da baga. Quanto ao Quinta de Foz de Arouce Branco, produzido a partir do Cercial, é um branco de aroma discreto, com muita mineralidade e uma acidez vincada que lhe confere uma ótima evolução em garrafa.

O que distingue os vinhos Quinta de Foz de Arouce de outros da mesma região?

Foz de Arouce está de certo modo isolado, sem áreas vitícolas assinaláveis num raio de 50Km, sendo as duas regiões mais próximas a Bairrada, a noroeste, e o Dão, a nordeste.

Ambas as regiões produzem vinhos com estas castas, no entanto, os solos calcários e influência atlântica significativa, numa delas, e os solos graníticos e altitudes acima dos 400m, na outra, dificilmente potenciam este grau de maturação. Os bagas resultantes naquelas regiões são naturalmente menos maduros, com mais acidez e menos concentrados.

Que vinhos se destacam da gama e porquê?

Das três referências que compõem a gama da Quinta de Foz de Arouce destaco o Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria por ter origem numa vinha muito velha da quinta, que foi plantada na década de 40.

Esta vinha está situada num planalto, a 150 metros de altitude, no alto da quinta, donde provêm as uvas deste vinho. São uvas muito concentradas, conferindo ao vinho uma estrutura e concentração com  taninos muito elegantes, bem envolvidos, a par duma frescura que o torna especial e capaz de evoluir muito bem ao longo de vários anos.

A que tipo de consumidor se destinam? 

São vinhos que pelas suas características, próprias da casta baga, estão aptos para uma evolução positiva em garrafa e também, pelo patamar de valor em que se situam, se destinam a consumidores esclarecidos e exigentes.

Se tivesse de descrever os vinhos em três palavras, quais seriam? 

Elegantes, distintos e únicos.

Vão existir outras referências no futuro?

O nosso foco mantém-se, para já, nas referências atuais.


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