60 segundos com Hugo Mendes e os vinhos de Lisboa

Como nasceu e o que caracteriza os vinhos Hugo Mendes?

Em 2016, depois de 11 anos a fazer vinhos para outros, percebi que estava na hora de me lançar num projeto pessoal. A razão prendeu-se com as idiossincrasias de cada produtor para quem trabalho e da limitação que um perfil acabado dá a quem gosta de ensaiar, criar coisas novas e redefinir limites.

Um dos objetivos do primeiro vinho Hugo Mendes era contrariar a ideia de que só alguém com muito dinheiro pode fazer vinho e colocá-lo no mercado. Criei um crowdfunding, uma pré-venda que me permitiu financiar o projeto na íntegra. Fui financiado pelos consumidores finais, a quem chamo patronos, e a quem vendi, antes do vinho engarrafado, garrafas a um preço mais baixo para compensar o risco. Precisava de vender 800 garrafas no primeiro ano e vendi 877. 

O que torna a região e a quinta de onde são originários especiais?

As vinhas estão em terrenos argilocalcários e o clima tem uma forte influência do Montejunto, o que resulta em uvas equilibradas e sãs. 

Quais as castas utilizadas / predominantes e que características conferem aos vinhos?

Este projeto assenta no trabalho das castas Fernão Pires, Arinto e Vital para os vinhos brancos e Castelão para o tinto. Todas apanhadas pelos níveis de acidez e trabalhadas num estilo de enologia minimalista, com engarrafamento cedo para preservar as caraterísticas primárias dos vinhos.

Prentende-se que haja uma expressão pura daquelas castas naqueles locais. São sempre vinhos frescos, delicados, sem intensidade aromática demasiado marcada, vinhos que fazem boa companhia na mesa ou na esplanada, vinhos que não querem ser estrelas, mas sobretudo boas companhias.

O que distingue os vinhos Hugo Mendes de outros da mesma região?

Talvez o facto de se assumirem como orgulhosamente fruto da região de Lisboa, recorrendo às castas nativas e vinificações que permitem expressá-las como tal. Como são também vinhos interpretativos, diferem dos outros sobretudo na noção de equilíbrio e harmonia de quem os cria.

Que vinhos se destacam da gama e porquê?

O Hugo Mendes Lisboa Vital, que recupera uma casta muito usada no passado, e é um bom exemplo de um dos filões que a região pode explorar.

A que tipo de consumidor se destinam? 

A todos os que procuram no vinho uma companhia para melhor disfrutar de um bom momento da vida. A todos os que se cansaram de ter de entender de vinho para simplesmente tirarem prazer do seu consumo. 

Se tivesse de descrever os vinhos em três palavras, quais seriam? 

Harmonia, prazer e desejo.

Vão existir outras referências no futuro?

Depois de um espumante, que esgotou ainda antes de chegar ao mercado, surgirão novas referências noutras regiões. Para já, a colheita de 2020 vai originar três referências no Douro, enquanto 2021 trará algumas no Tejo e depois, quem sabe, Dão?!


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