60 segundos com Daniel Parreira do projecto XXVI Talhas

Como nasceu e o que caracteriza os vinhos XXVI Talhas?

O projeto XXVI Talhas nasce em 2018 da vontade de 4 amigos de mostrarem ao país e ao mundo uma tradição milenar passada de pais e avós: a produção de Vinho de Talha em Vila Alva. Eu e a minha irmã Alda herdámos do nosso avô, “Mestre Daniel”, uma adega com 26 (XXVI) talhas e juntámo-nos ao Ricardo e ao nosso primo Samuel nesta aventura.

Acreditamos que autencicidade é a palavra que melhor define o projeto, pois procura dar a conhecer a forma tradicional de produção de vinho de talha, com o contacto prolongado das massas, com o vinho ainda na talha durante praticamente 6 meses, como se fazia antigamente, e apenas após esse período se enche a gama “Mestre Daniel”. No entanto, temos também a gama “Tareco”, que é engarrafada  logo após o São Martinho (11 de novembro) e que representa o vinho novo de Talha.

O que torna a região e a quinta de onde são originários especiais?

A aldeia de Vila Alva, localizada na região vitivinícola da Vidigueira, tem uma grande tradição de produção de Vinho de Talha. Trata-se de uma aldeia onde quase todos os habitantes têm em casa uma talha ou um pequeno pote de barro, localmente designado por “Tareco”, onde produzem o seu próprio vinho.

Esta cultura e as tradicionais adegas de talhas localizadas no centro da aldeia tornam obrigatória a visita a todos os enófilos especialmente de novembro a janeiro quando é possível beber o vinho retirado diretamente das talhas. 

O enólogo, Ricardo Santos

Quais as castas utilizadas / predominantes e que características conferem aos vinhos?

Nos brancos, Larião, Manteúdo, Diagalves, Perrum, Roupeiro e Antão Vaz. São estas as castas mais características da região e que os “antigos” sempre utilizaram na produção de vinho de talha. É com estas castas que obtemos vinhos pouco alcoólicos e de elevada frescura pois, além das características edafo-climáticas da região, as castas complementam-se: se o Roupeiro estiver com um teor alcoólico muito elevado e com menor acidez, a Diagalves e Larião, que têm dificuldade em atingir grau elevado, complementam o lote. 

Nas castas tintas, predominam Tinta Grossa, Aragonês, e Trincadeira. Aqui procuramos também vinhos equilibrados, mantendo ao máximo a frescura mas com estrutura.  

Tanto nos brancos como nos tintos, os lotes são quase sempre feitos na vinha, pois as castas já se encontram misturadas e sem definição dos respetivos talhões.  

O que distingue os vinhos XXVI Talhas de outros da mesma região?

São vinhos de talha produzidos pelo método de vinificação tradicional da aldeia, a partir de castas tradicionais provenientes de vinhas velhas sem regadio. 

Na pequena freguesia de Vila Alva possuímos vinhas em terrenos xistosos e outras em terrenos graníticos, que conferem características distintas a vinhos das mesmas castas.

Apesar da grande distância ao mar, estamos ainda sob a influência da serra do Mendro, que abraça a Este as vinhas da região e constitui a primeira barreira física aos ventos provenientes do Oceano Atlântico, e que confere aos vinhos uma grande frescura. 

Outra particularidade importante é o facto de os vinhos serem apenas filtrados naturalmente pelas próprias massas que existem dentro da talha.

Que vinhos se destacam da gama e porquê?

O destaque vai para a gama Mestre Daniel, composta por um Branco, Tinto e o Lote X (Branco), todos resultantes de um processo de produção semelhante. 

No entanto,  enquanto os Mestre Daniel Branco e o Mestre Daniel Tinto são lotes de várias talhas e com castas de diferentes tipos de solo, o Mestre Daniel Lote X é vinificado numa única talha (a X) com mistura de castas tradicionais provenientes de uma parcela de vinha com cerca de 40 anos e plantada ainda pelo Mestre Daniel em solo granítico.  Trata-se de um vinho com frescura, mineralidade e corpo médio devido ao contacto de quase 6 meses com as massas. 

A que tipo de consumidor se destinam? 

Procuramos que os nossos vinhos cheguem a todos os adeptos de vinhos diferenciados, produzidos de forma tradicional e com mente aberta a novidades e novas sensações na prova de vinhos. Como se trata de um vinho feito de forma natural, também procuramos que estes consumidores conheçam os nossos vinhos e a nossa adega, experimentado a sensação de beber o vinho pela torneira colocada na base das talhas. 

Se tivesse de descrever os vinhos em três palavras, quais seriam? 

Tradição, Frescura, Mineralidade.   

Vão existir outras referências no futuro?

A colheita de 2019 trará um monocasta de Tinta Grossa, proveniente de apenas uma talha e, ainda em 2020, contamos lançar também um vinho Palhete. 


Sim! Quero receber as novidades e promoções do Adegga.